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UFAM · INC · Administração · INB009
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Aula 04 · 2 de setembro · 8h em ponto

Duas pessoas.
O mesmo prédio.
Duas organizações.

Percepção e atitudes: por que quem está dentro e quem está fora descrevem lugares diferentes — e o que a gestão faz com essa diferença.

INB009 · Gestão Organizacional · Unidade 2.2 · Prof. Pedro Henrique Mariosa

ilustração
Três aulas até aqui

O que a gente já construiu junto.

12/08 · Aula 01

O chefe que eu não quero ser

Vocês escreveram vinte frases sobre a pior chefia que já tiveram. Agrupadas, elas viraram um diagnóstico: respeito no trato e orientação ao cliente no topo — e reconhecimento em zero. Ali nasceu a lista de competências do administrador contemporâneo.

19/08 · Aula 02

Tecnologia não gere: expõe

Trabalho, tecnologia, organização e gestão. A conclusão que a turma tirou: a ferramenta acelera o que já existe. Processo bom fica melhor; bagunça vira bagunça por escrito. Quem não desenha o processo, automatiza a bagunça.

26/08 · Aula 03

Toda organização é uma engrenagem

Fayol, 1916: planejar, organizar, dirigir, controlar — não é lista, é ciclo. Cada mesa declarou uma organização real daqui, apontou o gargalo com evidência, e o relatório técnico nasceu.

Três aulas, uma linha só: gestão é o que separa quem corrige cedo de quem descobre tarde. Vamos ver quanto disso ficou.

Como a manhã vai correr

Duas teorias, uma dinâmica no meio.

8h00
Recap das três aulas e o termômetro.
8h20
Teoria I — o processo perceptivo e a atribuição.
8h50
Vocês — as duas respostas no telão, painel e rodada.
9h30
Teoria II — atitudes, atalhos e decisão.
10h05
O 1º Exercício Escolar e os combinados.

Vinte minutos de aquecimento, trinta de teoria, quarenta de vocês, mais trinta de teoria, e a última meia hora para organizar a entrega da semana que vem. Ninguém fica duas horas ouvindo.

Termômetro · 5 minutos

Duas perguntas. Sem nota, sem susto.

01
Cada um no seu celular. Sozinho — consultar o colega estraga o termômetro.
02
Duas perguntas de alternativa sobre as aulas 02 e 03. Trinta segundos cada.
03
As barras sobem no telão na hora — sem nome de ninguém. Depois eu abro o gabarito.
aulas-inc-2026-2.netlify.app/go/termometro
QR do termômetro
Errar aqui não custa nada. O que custa caro é eu seguir para a matéria nova achando que ficou tudo entendido. Respondam o que vocês acham de verdade.
Termômetro · pergunta

…

G revela o gabarito · 0 respostas até agora

Termômetro · pergunta

…

G revela o gabarito · 0 respostas até agora

E a tarefa que vocês trouxeram

O ciclo girou. Agora vem o ruído.

01

O ciclo

Planejar, organizar, dirigir, controlar. Cem anos, mesma engrenagem.

02

A ficha da mesa

Cada mesa declarou uma organização real daqui e apontou o gargalo.

03

A evidência

Vimos, ouvimos ou medimos — nunca "eu acho". Isso vale de novo hoje.

04

O dever de casa

A mesma pergunta a duas pessoas: uma de dentro e um cliente. É com isso que a aula começa.

Hoje o ciclo não muda. O que muda é a matéria-prima da decisão: o gestor nunca decide sobre a realidade — decide sobre a leitura que ele tem dela.

Teoria I · o processo perceptivo

Percepção não é ver. É construir.

1 · Selecionar

O mundo manda mais sinal do que cabe. O cérebro escolhe uma fração — e ignora o resto sem avisar você.

→
2 · Organizar

O que passou é encaixado num padrão conhecido: figura e fundo, semelhança, proximidade, continuidade.

→
3 · Interpretar

O padrão ganha sentido — e é esse sentido, não o fato, que vira comportamento.

Davis e Newstrom chamam isso de mapa cognitivo: cada pessoa carrega um mapa do lugar onde trabalha, e nenhum mapa é o território. Dois funcionários do mesmo setor operam mapas diferentes — e brigam achando que discutem fatos.

O que decide o que você enxerga

Três filtros entre o fato e você.

Quem percebe

Expectativa, interesse, humor, experiência passada, o que está em jogo para você. Quem foi mal atendido uma vez enxerga descaso onde há fila.

O alvo

Nada é percebido isolado. O mesmo funcionário calado parece tímido ao lado de um falante e arrogante ao lado de outro calado.

A situação

Hora, lugar, quem está por perto. A mesma bronca a sós é orientação; no balcão, na frente do cliente, é humilhação.

É por isso que o mural da aula 01 estava cheio de "na frente de todo mundo". Não era só o que o chefe dizia — era a situação em que dizia.

ilustração
Teoria da atribuição · Heider, Kelley

Depois de ver, a gente explica.

Interno
a causa é a pessoa: ela é assim, é preguiçosa, é dedicada.
Externo
a causa é a situação: o sistema caiu, o barco atrasou, faltou material.

Kelley diz que a gente decide entre os dois olhando três coisas: consenso (os outros fazem igual?), distintividade (só acontece nessa tarefa?) e consistência (acontece sempre?).

O erro nº 1

Erro fundamental de atribuição

Para o outro, a causa é o caráter. Para mim, é a circunstância. "Ele chegou tarde porque é relaxado; eu cheguei tarde porque o barco atrasou."

Viés autobenéfico

O acerto é mérito meu; o erro é culpa do contexto. Gestor que só faz isso nunca corrige nada.

Por que isso é gestão, e não psicologia: a demissão, a promoção, a advertência e a escala de fim de semana são decididas com base em atribuição. Quem erra a causa, erra a medida — e depois cobra do funcionário um problema que era do processo.
Agora é de vocês · 20 minutos

Ponham as duas respostas no telão.

01
Mesma mesa da semana passada, mesma organização. Uma ficha por mesa.
02
As duas respostas palavra por palavra — a de dentro e a do cliente. Não resumam, não melhorem.
03
Digam se bateram. E arrisquem uma hipótese: o que explica a diferença?
aulas-inc-2026-2.netlify.app/go/percepcao
QR da ficha das duas respostas
Não conseguiu perguntar durante a semana? Pergunte agora, por WhatsApp ou ligando — leva três minutos, e a mesa entrega com a resposta de verdade em vez de inventada.
Ao vivo · dentro × fora

A mesma organização, contada duas vezes.

QR do painel
Acompanhe no celular as fichas chegando

Olhem a barra: quantas mesas descobriram que dentro e fora não falam da mesma coisa. Essa distância tem nome técnico — e tem custo.

A rodada · noventa segundos por mesa
agora apresenta
Esperando as fichas...
de dentro
de fora · cliente
1:30
N chama a próxima · T liga e pausa · R zera. Leiam as duas frases e digam a hipótese da mesa.
Unidade 2.2

Percepção e atitudes
organizacionais.

Segunda metade: o que a gente faz com o que percebe — e como isso vira decisão, injustiça ou correção.

Teoria II · o que é uma atitude

Atitude tem três andares.

Cognitivo

O que eu penso

"Essa chefia não escuta ninguém." É a crença — vem direto da percepção do andar anterior.

Afetivo

O que eu sinto

"Eu detesto reunião de segunda." É o sentimento colado na crença. É o andar mais difícil de mudar.

Comportamental

O que eu faço

"Eu não falo mais nada em reunião." É a intenção de agir — e é só esse andar que a organização vê.

Por isso treinamento sozinho quase nunca muda nada: ele mexe no primeiro andar e deixa os outros dois de pé. Informação muda crença; experiência muda sentimento; regra e consequência mudam comportamento. Gestão que quer mudança precisa dos três.

Festinger · 1957

Quando pensar e fazer se contradizem.

Dissonância cognitiva é o desconforto de sustentar duas coisas incompatíveis: "eu sou honesto" e "eu não registro tudo no caixa". O desconforto é real, e a pessoa vai reduzir ele de algum jeito.

Quanto mais importante o assunto, mais forte a pressão — e menos a pessoa escolhe o caminho difícil.

  • Muda o comportamento — o caminho caro. Passa a registrar tudo.
  • Muda a crença — o caminho barato. "Todo mundo faz isso aqui."
  • Reduz a importância — o mais comum. "É um troco, não muda nada."
Leitura de gestor: quando a organização cobra um valor que ela mesma não pratica, ela não produz coerência — produz cinismo. As pessoas ajustam a crença para caber no comportamento que a rotina exige. É assim que "aqui é assim mesmo" nasce.
Estereótipos e preconceitos organizacionais

Os atalhos que viram injustiça.

Percepção seletiva

Só vejo o que confirma o que já penso. O atraso do funcionário de quem não gosto eu registro; o do outro, esqueço.

Efeito halo

Uma qualidade contamina o julgamento inteiro. Chegou bem-vestido, logo é competente.

Efeito de contraste

O candidato é avaliado contra o anterior, não contra o critério. Ordem da fila vira nota.

Projeção

Suponho que os outros querem o que eu quero. "Ninguém liga para horário" — quem não liga sou eu.

Estereótipo

Julgo a pessoa pelo grupo: a idade, o bairro, o sotaque, o lado da fronteira, a etnia, o gênero. É o atalho mais barato e o mais caro.

Profecia autorrealizável

Trato como incapaz, dou menos, cobro menos — e a pessoa entrega menos. Aí eu digo que estava certo.

Nenhum desses é maldade: são economias de esforço do cérebro. Viram preconceito quando ninguém os expõe — e a organização os transforma em escala, promoção e demissão.

ilustração
Aqui, não no livro

Como isso aparece no Alto Solimões.

"Esse é de comunidade"

O candidato de fora da sede vira "vai faltar quando o rio encher" antes de qualquer pergunta sobre o que ele sabe fazer.

"Cliente da outra margem"

A nacionalidade decide o preço, a fila e a paciência do atendimento — e ninguém escreveu essa regra em lugar nenhum.

"Ela é nova demais"

A ideia é boa até descobrirem a idade de quem falou. Efeito halo ao contrário, na reunião.

"O de sempre resolve"

A mesma pessoa recebe toda tarefa difícil porque "é a única confiável". A profecia se cumpre — e a equipe nunca aprende.

Reparem: em todos os quatro, alguém decidiu antes de olhar. É exatamente isso que método e fonte servem para impedir — no relatório técnico e na chefia.

Influência da percepção na tomada de decisão

Como blindar uma decisão.

  • Critério antes do candidato. Escreva o que conta antes de olhar quem é — mata contraste e halo.
  • Dado antes da impressão. Quantas vezes, em quanto tempo, quanto custou. Sem número, é atribuição.
  • Duas fontes. Dentro e fora, como vocês fizeram hoje. Uma fonte só é um mapa, não o território.
  • Alguém para discordar. Decisão em grupo sem discordância é a mesma decisão, repetida em coro.
  • Volte depois. Compare o que aconteceu com o que você previu. É controle — o quarto pé do ciclo.
Herbert Simon

Racionalidade limitada

Ninguém decide com toda a informação: decide com a informação que a percepção deixou passar, e para na primeira alternativa que serve — não na melhor.

Consequência prática: o trabalho do gestor não é ser imparcial. É montar um processo que corrija a parcialidade dele.

Atividade da semana · vale nota

1º Exercício Escolar: o perfil do gestor contemporâneo.

01
Ensaio individual, 2 a 3 páginas. Entrega na próxima quarta, 09/09, no começo da aula.
02
Parta do que você viu na sua organização: as duas respostas de hoje, e a diferença entre elas.
03
Use, com o nome certo, ao menos três conceitos da aula de hoje e do ciclo da aula passada.
04
Feche respondendo: que gestor você não quer ser — e que processo evitaria isso.
Como eu corrijo

Fundamentação: os conceitos aparecem com o nome certo e no lugar certo.

Análise crítica: você discute, não repete o slide.

Aplicação: a organização real aparece com cena, fonte e detalhe.

Corta nota: texto sem fonte, conceito decorado sem uso, e organização genérica ("as empresas em geral").

Sem computador? Manuscrito legível vale. O que não vale é entregar depois da chamada de quarta.
Os combinados

Três coisas saem daqui.

8h00 em ponto. O primeiro slide entra no telão às 8h00, com a sala cheia ou não.
Até quarta que vem

Ninguém gere
o que enxerga.
Gere o que mede.

Semana que vem: comportamento e aprendizagem organizacional — como uma organização inteira aprende, ou repete o mesmo erro por vinte anos.