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UFAM · INC · Administração · INA072
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Aula 02 · 19 de agosto · 14h

Vinte e quatro dores.
Seis eixos.

Hoje a gente abre os problemas de vocês em cinco camadas e descobre onde cada um encaixa.

INA072 · Empreendedorismo · Prof. Pedro Henrique Mariosa

Onde paramos na semana passada

Quatro coisas ficaram de pé.

01

A palavra tem 270 anos

Entreprendre: pegar entre as mãos, assumir. Empreender é assumir o risco de algo que ainda não deu certo.

02

Empreender não é estratégia

Ação empreendedora cria o jogo. Ação estratégica joga o jogo que já existe.

03

Vocês escreveram vinte e quatro dores na aula 1

O banco de problemas da turma. É dele que saem as equipes.

04

Uma banca por eixo decide

Banco do Brasil, Bayer e Motorola confirmados. Quem passa vai para a pré-incubação de seis meses.

As vinte e quatro dores, puxadas para os eixos do Ideathon

A dor número um da turma é sair de casa.

Logística
8
Data Science
7
Economia Circular
3
Ainda sem eixo
3
Artes e Cultura
2
Finanças Sociais
1
Bioinsumos e Biomateriais
0

Oito das vinte e quatro são deslocamento: rua sem asfalto, mototaxista que não aparece, embarque no porto, ambulância que demora. Logo atrás vêm sete de conectividade e sistema fora do ar. Duas coisas, e as duas são infraestrutura que ninguém mede.

O que ninguém viu

Um eixo está vazio — e é o que tem a Bayer na banca.

Bioinsumos e Biomateriais não recebeu nenhuma das vinte e quatro dores. Ninguém desta sala olhou para o roçado, para o pescado e para a floresta na hora de escrever, e essa é a única banca que já tem patrocinador esperando proposta.

Finanças Sociais tem uma dor só, a do caixa vazio que obriga a atravessar para Tabatinga. Artes e Cultura tem duas, as duas sobre o festival. São os três eixos onde a concorrência na banca vai ser menor.

Eixo vazio é vaga aberta. Quem quiser mudar de eixo hoje, muda: a ficha de anatomia aceita qualquer um dos seis.

Onde a gente está na ementa

A disciplina tem nove paradas. Vocês estão na terceira.

01
Significado do termo empreendedorismo. Feito na aula passada, com Cantillon, Say, Schumpeter e Drucker.
02
Perspectiva social e econômica da ação empreendedora. Hoje, quando a gente olhar as vinte e quatro dores como mercado.
03
Inovação, criatividade e espírito empreendedor. Hoje, depois da dinâmica.
04
Perfil, competências, habilidades e atitudes do empreendedor. Hoje, e vocês mesmos vão se avaliar.
05
Processo de criação da visão.
06
Ação empreendedora e ação estratégica.
07
Teoria do negócio.
08
Fatores da montagem e da expansão de um negócio.
09
Construção do plano de negócios.

A ementa é do PPC do curso e não muda. O que muda é que aqui ela não vai ser cumprida com exemplo de livro: vai ser cumprida com as dores que vocês trouxeram de Benjamin Constant.

Perspectiva social e econômica

Problema repetido é mercado.

Quando um quarto de uma sala aponta a mesma trava, isso deixa de ser azar individual. Vira indício de problema crônico do lugar — e problema crônico é o que sustenta negócio, porque não some sozinho.

  • Dois de vocês falaram de hotel lotado no festival. Isso é demanda sem oferta.
  • Três falaram de deslocamento. Isso é cadeia inteira sem quem organize a ponta.
  • Um perdeu vinte mil reais por falta de conexão. Isso é custo mensurável.
O que ficou faltando na aula passada

Os seis eixos do IV Ideathon.

01

Data Science

Patrocínio da Motorola. Conectividade, dados, tradução e língua. Sete das vinte e quatro dores caem aqui.

02

Bioinsumos e Biomateriais

Patrocínio da Bayer. Milho, biocouro, biotecido, revestimento.

03

Logística

Em conversa com Embrapa e Forest. Barco, frete, estrada, a margem que o transporte come.

04

Economia Circular

Sem patrocinador ainda, e provavelmente o tema mais latente daqui.

05

Artes e Cultura

Festival, artesanato ticuna, música. Cultura vira cadeia quando alguém organiza contrato e preço.

06

Finanças Sociais

Crédito, poupança e pagamento para quem o banco não atende. Aqui isso tem cara de caixa vazio e de saque em Tabatinga.

As vinte e quatro dores, na íntegra

O que deu errado na semana de vocês.

GaethãQuando faco caminhada pela cidade. Existem pontos que tenho chances de ser atropelado tanto por ter um caminho muito íngreme tanto por as vezes nem existir.
SheilaA demora de uma ambulância para a busca de um paciente
AnaPerdi uma consulta, por causa que choveu e onde moro a rua ficou so lama , e quando chove fica difícil de trafegar, porque a rua não é pavimentada.
ZidaneFui pagar a minha passagem na catraia, e o wi-fi tava sem sistema e quando consegui Internet apertei no botão errado do aplicativo do banco e tive que fazer um novo cadastro.
Fláviamuitos doguinhos na rua.
ADRYANA variação constante e o encarecimento dos preços de produtos essenciais (como alimentos e gás) que chegam de barco por causa da dependência exclusiva do transporte fluvial e das secas extremas dos rios.
FrancirlaneA Falta de água no município
HerlonTentei resolver uns problemas pelo aplicativo do Gov.br,mas o sistema estava fora do ar ..
JaineCrianças menor de idade no festival, tentar resolver por meio de inscrições ou formulários (como em Parintins)
FranciscoTive que ir a Tabatinga para sacar o dinheiro porque não havia dinheiro no caixa em Benjamin
ShaelyNo último dia, tive falta de energia, ocasionada pelas condições do serviço local, e não por responsabilidade de qualquer pessoa.
Brunotinha muitas tarefas para fazer mais não sabia por onde começar
ValdireneNa última semana, enfrentei dificuldades para realizar as tarefas devido à recuperação de uma cirurgia. Isso afetou minha rotina e me impediu de acompanhar a primeira semana de estudos adequadamente.
KennethUm aplicativo que eu utilizo diariamente, ficou indisponível, pois entrou em uma manutenção de aproximadamente 2 dias, isso me obrigou a proucurar alternativas.
JEDIELPerdi a chance de ganhar 20.000 reais no day tarde por perda de conexão de internet
LucasBaixa rotatividade de mototaxistas
Enenão fiz uma compra porque a conexão com internet não estava pegando, mesmo tentando de várias formas, não deu
LauandhaSair na rua à noite e não se sentir segura, andando com o receio constante de que algo possa acontecer devido à falta de iluminação ou policiamento adequado nos trajetos.
ValdireneNa última semana, tive dificuldade para sair de casa devido às condições da rua, que ainda não é asfaltada. Como estou me recuperando de uma cirurgia, não posso fazer muito esforço.
SamiliIa para a academia de manhã, mas fique sem moto e não fui
LeandersonRede hoteleira da cidade, os hotéis como um todo não foi suficiente atender a demanda de pessoas “externas” da cidade
jaciaranão consegui vir para as três primeiras aulas, por conta dos exames
CarlosNa última semana eu tive dificuldade em fazer o embarque no porto de São Paulo de Olivença, à falta de organização e estrutura precária. Tumulto, estruturas improvisadas, espaço limitado aumentam riscos de acidentes.
AnandaNão ter vagas em hotéis no festival
A rodada · 20 minutos · um minuto para cada um
agora fala
Esperando o mural...
1:00
N chama o próximo · T liga e pausa · R zera. Diga o nome, por que escolheu Administração e leia a sua dor.
A dinâmica de hoje

Anatomia do problema: cinco camadas.

01

Quem sente

Uma pessoa com nome, ofício e lugar. Não "os moradores".

02

Com que frequência

Toda semana? Uma vez por ano? Dor rara não sustenta negócio.

03

Quanto custa hoje

Em reais, horas ou risco. Se ninguém mede, ninguém paga.

04

Qual a gambiarra

O que a pessoa já inventou: caderno, grupo de WhatsApp, um primo que resolve.

05

Por que ela falha

Onde exatamente quebra. É aí, e só aí, que uma solução entra.

Nenhuma

pede solução

A gambiarra é a prova: quem gastou tempo inventando jeito torto provou que a dor é real.

Vinte minutos no relógio

Peguem a própria dor e abram ela.

01
O formulário já traz as vinte e quatro dores. Escolha a sua, ou digite outra.
02
Cinco campos. Se tiver a frase literal de quem sente, coloque entre aspas.
03
No fim ele sugere um eixo. Você confirma ou discorda.
aulas-inc-2026-2.netlify.app/emp/anatomia
QR da ficha
Sem celular? Sente com quem tem e enviem em dupla, com os dois nomes no campo do nome. Ninguém fica de fora por causa de aparelho.
Ao vivo · onde cada ficha caiu

Agora a gente fecha os itens e os eixos.

QR do encaixe
Veja quem caiu no mesmo eixo que você

Ficha pela metade é problema pouco investigado, não eixo errado. Onde houver três fichas, já existe equipe.

Ementa · inovação, criatividade e espírito empreendedor

Inovação não é invento. É combinação nova.

Schumpeter, 1911

Novas combinações

Inovar é juntar de outro jeito o que já existe: produto novo, método novo, mercado novo, fonte de insumo nova, forma nova de organizar. Nenhuma delas exige inventar do zero.

Drucker, 1985

A fonte é a mudança

O empreendedor não espera a musa: ele varre mudanças em busca de oportunidade. O inesperado, a incongruência entre o que se espera e o que acontece, a mudança demográfica e a mudança de percepção. Onde algo mudou, alguma dor ficou mal resolvida.

Amabile, 1996

Criatividade tem três partes

Domínio técnico, jeito de pensar e motivação. As duas primeiras a faculdade dá. A terceira é a que decide, e ela vem de trabalhar num problema que te interessa de verdade.

Reparem no que isso faz com a nossa dinâmica: as vinte e quatro dores são exatamente o rastro de coisas que mudaram na cidade e ninguém reorganizou ainda.

Ementa · do problema à evidência

Problema que não se afere é opinião com sotaque técnico.

Gil, 2002

Problema é pergunta, não queixa

Um problema bem formulado é empírico, delimitado e verificável: dá para observar, cabe num lugar e num período, e alguém consegue dizer se a resposta é sim ou não. "A cidade é mal servida" não é problema de pesquisa. "Quantos dias por mês o Manoel fica sem repor mercadoria na estiagem" é.

Popper, 1934

Só vale o que pode dar errado

Afirmação que nenhum dado consegue derrubar não é conhecimento, é fé. Escrevam a frase que, se for falsa, faz vocês largarem o problema. Se não existe frase assim, vocês não estão pesquisando: estão torcendo.

Denzin, 1978

Três fontes, nunca uma

Triangulação: a mesma dor vista por quem sente, por quem atende do outro lado do balcão, e por um registro que não fala — uma nota, uma foto, uma fila, uma planilha. Quando as três batem, é problema. Quando não batem, o interessante está justamente na diferença.

Osterwalder e Bland, 2019

A escada da evidência

Nem toda prova pesa igual. Opinião vale pouco, declaração vale um pouco mais, comportamento observado vale muito, e dinheiro que a pessoa já gasta hoje vale mais que os três juntos. Subam a escada antes de escrever qualquer proposta.

Ries, 2011

Cuidado com o número bonito

Métrica de vaidade é a que só sobe e nunca muda decisão: curtida, presença, "todo mundo achou legal". Métrica acionável responde o que fazer em seguida. Se o número que vocês trouxerem não muda nada no projeto, ele não serve.

Yin, 2001

Poucos casos, bem fundo

Aqui não existe amostra de mil pessoas, e não precisa. Estudo de caso serve exatamente para perguntar como e por que num contexto real que vocês não controlam. Cinco entrevistas bem-feitas em Benjamin valem mais que quinhentos formulários pela internet.

Traduzindo para hoje: a ficha de vocês vira evidência quando tiver uma pessoa com nome, uma contagem, um número em reais ou horas e uma frase literal. Sem isso, é palpite bem escrito.

Ao vivo · o que acabou de chegar

Os problemas de vocês, conectados por eixo.

QR da conexão dos problemas
Abra no seu celular e veja os próximos passos da sua equipe

Cada bolinha é o problema que uma equipe declarou hoje. Embaixo de cada cartão está o degrau da escada em que aquela ficha parou e os próximos passos para aferir — o que falta contar, medir ou ouvir até dia 25.

Ementa · perfil, competências, habilidades e atitudes

Não existe tipo empreendedor. Existe comportamento treinado.

McClelland, 1961

Realização, não sorte

Ele foi procurar o que distinguia quem empreende e achou comportamento, não personalidade: buscar informação, correr risco calculado, persistir, planejar e monitorar. É dessa pesquisa que saíram as competências que o SEBRAE treina até hoje.

Filion, 1991

A visão se constrói

O empreendedor não acorda com a visão pronta. Ela se forma numa ida e volta entre o que ele entende do setor e as relações que ele tem. Quem conversa com mais gente enxerga mais longe.

Dolabela e Dornelas

No Brasil, e aqui

A leitura brasileira insiste no mesmo ponto: empreendedorismo se aprende, e se aprende fazendo, com o entorno como sala de aula. Vocês têm tríplice fronteira do lado de fora da janela.

Ou seja: a pergunta certa não é se você nasceu com perfil. É qual desses comportamentos você ainda não pratica, e o que você vai fazer sobre isso até novembro.

De dor a oportunidade

Toda dor é dor. Nem toda dor é negócio.

Christensen

Ninguém compra furadeira

A pessoa contrata um produto para fazer um serviço na vida dela. Quem entende a tarefa que o cliente quer resolver descobre concorrente onde ninguém via, e a alternativa dele quase nunca é outra empresa: é o jeitinho que ele já usa.

Sarasvathy, 2001

Comece pelo que está na mão

Empreendedor experiente não parte da meta e corre atrás de recurso. Parte do que tem: quem eu sou, o que eu sei, quem eu conheço. Perda aceitável no lugar de retorno esperado.

Blank e Ries

Saia do prédio

Nenhum plano sobrevive ao primeiro contato com o cliente. O trabalho é achar a hipótese que, se for falsa, derruba tudo, e testar essa antes de qualquer outra coisa.

Traduzindo para hoje: vocês abriram a dor na ficha de anatomia. Agora falta perguntar quem paga, o que essa pessoa já gasta, o que mudou, e qual é a aposta que pode derrubar tudo.

Atividade 2 · a ficha da oportunidade

Cinco perguntas, e nenhuma pede a sua ideia.

01

Quem paga

Nem sempre é quem sente. Diga quem assina o cheque, e por que essa pessoa e não outra.

02

O que ela já paga hoje

Toda dor cara já tem concorrente, mesmo que seja um caderno, um primo ou uma viagem de barco.

03

O que mudou

Drucker de novo: que mudança na cidade, na lei, no preço ou na tecnologia abriu essa brecha agora?

04

O que vocês já têm

Sarasvathy: quem vocês conhecem, o que sabem fazer, o que dá para testar sem dinheiro nenhum.

05

A aposta mais arriscada

A coisa que, se for falsa, derruba tudo. Escrita como frase testável esta semana, não como opinião.

06

E de você

Qual competência de McClelland mais te falta hoje. É a única pergunta da ficha que é sobre você.

Quinze minutos no relógio

Abram a ficha e respondam pela dor de vocês.

01
O formulário já traz as fichas de anatomia que vocês acabaram de enviar. Escolha a sua.
02
Cinco campos de oportunidade, mais a competência que você acha que mais te falta.
03
As palavras proibidas continuam valendo: app, sistema, plataforma, site e IA.
aulas-inc-2026-2.netlify.app/emp/oportunidade
QR da ficha de oportunidade
Sem celular? Faça em dupla, com os dois nomes no campo do nome. Ninguém fica de fora por causa de aparelho.
Ao vivo · as apostas da turma

O que pode derrubar tudo.

01
Cada cartão traz a aposta mais arriscada de uma pessoa, com quem paga e quanto essa pessoa já gasta hoje.
02
Aposta que ninguém consegue testar até dia 25 é aposta mal escrita. A gente reescreve na hora.
03
Ao lado, a competência que a turma diz que mais falta. É o que a gente vai treinar até o Ideathon.
aulas-inc-2026-2.netlify.app/emp/oportunidade/painel
QR do painel das apostas
Feira de problemas · 30 minutos · de pé

Procurem quem sente a mesma dor.

01

Circulem

Ninguém defende a própria ideia. Cada um conta o problema em trinta segundos.

02

Juntem por dor

Não por amizade, não por quem senta perto. Por problema parecido.

03

Fechem de três a cinco

Equipe menor não dá conta, maior não decide.

No fim, cada grupo diz em voz alta a dor que escolheu e quem está nela.

Dentro da equipe

Quatro papéis, rotativos.

Campo

Quem conversa

Faz as entrevistas e traz as frases literais.

Número

Quem mede

Transforma a dor em reais, horas e risco.

Registro

Quem escreve

Mantém a ficha e o documento vivos.

Voz

Quem apresenta

Fala com a banca. E troca, para todo mundo passar por isso.

Na autoavaliação vocês se deram nota em delegação. Na hora de dividir esses papéis, aquela nota vai ser cobrada.

O combinado

Dia 25 o problema fecha.

Na próxima semana ainda dá para trocar de equipe e de problema. Depois do dia 25, não. É com esse problema que vocês vão até novembro, e é ele que a banca vai ouvir.