Aula 01 · quarta-feira, 12 de agosto de 2026 · 14h às 18h
Prof. Pedro Henrique Mariosa · monitoria: Esthefany · Instituto de Natureza e Cultura
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Alguma coisa deu errado nos últimos sete dias. Não por culpa de uma pessoa: por causa de como as coisas funcionam por aqui.
Regra de ouro: é proibido propor solução. Hoje a gente só olha para o problema.
Agora eu chamo um por um. Diga o seu nome, conte por que você escolheu Administração e leia a sua frase em voz alta.
Esperando as primeiras chegarem...
Todo mundo tem uma ideia guardada. A ideia é confortável: ela é sua, é bonita e ninguém nunca disse não para ela.
O problema é desconfortável, porque ele pertence a outra pessoa e obriga você a ir perguntar. É por isso que a gente começa por ele.
Aquele mural é uma amostra do que incomoda gente real, num território real, numa semana específica. Um dado bruto, com data e lugar.
É de material assim que sai negócio que dura. E é disso que a palavra empreendedorismo trata desde antes de existir startup.
Antes de virar hashtag, empreendedorismo foi um conceito econômico com problema definido.
Francês medieval. A palavra não nasce falando de lucro nem de tecnologia: ela fala de alguém que toma uma tarefa para si e responde pelo resultado.
Guarde isso, porque atravessa os 270 anos seguintes: empreender é assumir o risco de uma coisa que ainda não deu certo.
É quem compra por um preço certo para vender por um preço incerto. O empreendedor é quem carrega o risco.
É quem desloca recursos de uma área de baixa produtividade para outra de produtividade maior.
É quem faz novas combinações e destrói o equilíbrio: destruição criadora. Inovar é o verbo.
É prática, não dom. Inovação sistemática: procurar mudança, analisar oportunidade, e trabalhar.
Schumpeter chamou isso de destruição criadora. É por isso que inovação encontra resistência: sempre há quem perca com ela.
Pergunta que vale o semestre: na proposta de vocês, quem perde? Se ninguém perde, provavelmente nada muda.
Enxerga onde ninguém olhou, aceita incerteza alta, aprende testando, aposta sem garantia de retorno.
Compara alternativas, aloca recurso escasso, defende posição, mede resultado contra concorrente.
Negócio que só empreende vira aventura. Negócio que só estrategiza vira burocracia. O semestre trabalha as duas.
O empreendedor herói, sozinho, iluminado, é uma história boa de contar e ruim de seguir.
Nenhuma dessas quatro coisas depende de talento. Todas dependem de trabalho.
É logística que come a margem, é crédito que não chega, é mercado que atravessa fronteira com três moedas, é cadeia produtiva sem quem organize a ponta.
Quem estuda administração numa tríplice fronteira tem acesso a um laboratório que São Paulo não tem. E, na hora de propor, vocês sabem coisas que consultoria de fora não sabe.
Não é um trabalho para o professor ler. É uma proposta pronta para ser defendida diante de banca.
As propostas selecionadas entram em seis meses de pré-incubação na INPACTAS. É de lá que saem as novas startups da incubadora.
Ou seja: o trabalho de vocês não termina com a nota. Ele pode virar empresa.
Eixo com parceria da Motorola.
Eixo com parceria da Bayer.
Rio, estrada, fronteira e o custo de mover coisas aqui.
O que a região descarta e poderia reaproveitar.
A cultura da fronteira virando cadeia que paga quem produz.
Crédito, poupança e pagamento para quem o banco não atende.
Cada bolinha é uma dor que vocês escreveram, puxada para o eixo com que ela conversa. É daqui que saem as equipes: procure o polo onde está a sua e veja quem mais está lá.
Uma pessoa com nome, ofício e lugar. Não “os agricultores”: a dona Raimunda, que vende farinha na feira.
Toda semana? Uma vez por ano? Dor rara não sustenta negócio.
Em reais, em horas, em risco. Se ninguém mede, provavelmente ninguém paga.
O que a pessoa já inventou para contornar: caderno, grupo de WhatsApp, um primo que resolve.
Onde exatamente ela quebra. É aí, e só aí, que uma solução tem chance de entrar.
Repare no que os cinco campos não pedem: solução. A gambiarra é a prova — quem já gastou tempo inventando um jeito torto provou, com o próprio esforço, que a dor é real.
As duas regras duras continuam valendo: proibido falar da sua ideia, e a ficha não pode conter as palavras app, sistema, plataforma, site e IA. O formulário recusa.
As bolinhas mostram quantos dos cinco campos estão fechados: ficha pela metade é problema que ainda não foi investigado, e não eixo errado. Onde houver três fichas ou mais, já existe equipe.
Os seis eixos estão colados na parede. As dores de vocês também. Vamos juntar as duas coisas.
Leve o seu papel para debaixo do eixo em que ele se encaixa. Se não encaixar em nenhum, cole na coluna "fora do mapa".
Cinco minutos lendo o mural inteiro, em silêncio. Você vai descobrir que a sua dor é a de mais gente.
Fique de pé no eixo em que você quer trabalhar o semestre. Não onde é mais fácil: onde você aguenta seis meses.
Equipes de quatro a cinco. Eixo com gente demais se divide em duas frentes; eixo vazio hoje continua disponível.
Marca e conduz as conversas com quem vive o problema.
Cuida de número, fonte e data. Nada entra sem procedência.
Mantém o documento vivo e legível, do primeiro dia ao último.
Cobra o combinado e fala comigo quando a equipe travar.
Rotativos: ninguém sai do semestre sabendo fazer só uma coisa.
Gestão Organizacional vai entregar relatórios técnicos sobre estes mesmos seis eixos: mercado dimensionado, atores mapeados, processo compreendido, com fonte para cada número.
Empreendedorismo entrega a proposta que se apoia nesse diagnóstico. Proposta sem evidência é chute bem falado.
Quem tiver 75% de frequência e média dos exercícios escolares igual ou superior a 8,0 está aprovado e dispensado da prova final, resguardado o direito de fazê-la.
Com três pessoas que vivem o problema do eixo da sua equipe. Nem colega de turma, nem parente.
Nome, ofício e lugar. Não "os produtores": a dona Raimunda, que vende farinha na feira.
Toda semana? Uma vez por ano? Dor rara não sustenta negócio.
Em reais, em horas, em risco. Sem número, é opinião.
Todo mundo já faz alguma gambiarra. Essa gambiarra é o seu concorrente real.
Entre aspas, do jeito que a pessoa falou. É a única parte que não pode ser reescrita.
As palavras app, sistema, plataforma, site e IA não entram na ficha. Descrevam o problema, não a solução.